Sobre Giu.
Dizem que eu sou de lua. Dizem que eu sou estranha, diferente. Dizem que eu sou tanto…. Um tanto quanto contraditório se alguém vivesse em meus dois mundos. Pois dizem aqui fora que sou grossa, sem sentimentos, fria. Aqui dentro sou meiga, fofa, estas coisas, sabe? E acho que esses extremos representam tudo o que eu posso ser. Meu dentro. Meu fora. Exatamente em um duelo sem fim. O meu presente. O meu passado. Respectivamente. Quebro corações por ter um coração quebrado. O chamo de Retalhado, a espera de alguém com uma linha particular que o costure sem dó. Que dê toda a vida perdida e os sorrisos também. Sou apaixonada por sorrisos mesmo não tendo o mais belo. Sou a maior criadora de contos de fadas em minha mente. Tenho uma mente gigante da qual nem eu tenho total acesso. E acesso restrito é uma de outras minhas tantas caracterísitcas mal listadas. Gosto de café e antes não gostava. Gosto de morangos e antes não gostava. Odeio sorvete de chocolate e qualquer tipo de líquido com bolhas. Meu paladar infelizmente não diz nada, só uma grande confusão, como gostar de brocólis e amar chá. Odeio errar. Caralho, como eu odeio errar e perder. Perder pra mim me gera sentimentos falsetas à longo prazo de culpa. Falo palavrão pra porra. Uso minisaia. Vestido colado. Batom vermelho. Já passei frio. E eu não me importo. Tenho uma vida fodidinha. Uma mente fodida. E odeio quando me dizem que eu pago de Madura. Infelizmente a ausência de um pai lhe faz ter que crescer sem um pedaço de si. Amo escrever e morreria se vivesse por escrita. E talvez esse seja o meu grande sonho: Viver escrevendo. Eu ligo pra aparências. Ligo tanto que só me fodi. Eu nunca amei ninguém. Nunca fiquei com alguém por mais de uma semana. Só disse eu te amo para uma pessoa e ele não teve valor. Faz tempos que não ouço um eu te amo. Faz tempo que não sou amada. Talvez amor não seja comigo. Adoro fazer os outros sorrirem, me faz ser importante nem que seja por um minuto. Prefiro fazer bem aos outros do que a mim. Talvez pelo simples fato de ter um lado que adora ser sem coração. Sem coração oculto. Pois o Retalhado necessita de doses de amor. Tenho 17 anos. Sou canceriana. 1 de julho. Com cara de 10. Corpo de 20. E mente? A minha mente….. A mente de alguém fodida à longo prazo, que já pensou em tirar a vida e tem pavor da dor. Quer o abrigo da mãe nas noites frias. Quer ser imortal e ao mesmo tempo poder hibernar. Talvez eu esqueça de quem sou, de quem fui. Talvez eu dê valor ao que sou. Tenho uma doença chamada “acho-que-ninguém-gosta-de-mim”, dizem que não tem cura. Quando eu me fechar, me dê um abraço. Quando eu der as costas, me dê um beijo. Ninguém acha que eu sou simples. às vezes me perco em mim. E pra quem ainda se importar, meu nome é Giuliana.