
— Por toda a minha vida…
— O que disse?
— Nada.
— Como sempre.
— Como sempre?! Garota, porque não te calas ao invés de falar asneiras?
— Alguém acordou com o pé esquerdo…
— Alguém bateu a cabeça na quina da mesa e esqueceu de todo o resto.
— Que resto?
— O meu resto.
— Adoro essa tua confusão.
— Não, não adora.
— O que tanto negas?
— Tua vontade.
— O que estás dizendo?
— Explicitamente? Nada. Nas entrelinhas? Tudo.
— Tudo o que?
— O que você não vê.
— E o que eu não vejo?
— Pra que tantas perguntas tolas?
— Pra uma resposta que me convença.
— Eu te darei, quando…
— Quando?
— Quando quiseres a mesma pergunta, a mesma resposta. O mesmo que eu.
— E o que queres?
— O que tu nunca irá querer.
— Fale logo.
— Nada.
— Nada o que?
— E voltamos para o início…
— No início nem ao lado, tu me querias.
— Agora eu te quero pra sempre.
— Não diga sempre…
— O que?
— Nem sempre o pra sempre irá nos bastar…
— Entendi.
— O que?
— O mesmo. A mesma. O nosso.
— Nosso?
— Diferente do início.
— Que não me querias do lado?
— Que não te querias.
— E hoje me quer?
— Pra sempre, até mesmo quando ele não nos bastar. (Giu, 23:23)